segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

10 a 30 de novembro: Pouco tempo, muitos fatos.

Quimioterapia

Arrumar as malas para uma internação programada é muito mais tranquilo, mas não é garantia de que não vai faltar alguma coisa. Peguei praticamente tudo que eu julguei ser necessário e estava torcendo pra voltar pra casa com a mesma quantidade de mochilas. O apartamento do tio Cláudio e da tia Olímpia estava mais quieto, sem a “equipe” completa de cuidadores oficiais da Ana Luiza. Eramos somente eu, minha mãe e a pequena. Meus sogros, Marcos e meu pai já tinham ido embora.

Chegamos ao hospital e após um bom tempo esperando, conseguimos nos instalar em um dos quartos do quinto andar. Ana Luiza, como sempre, estava falando e conversando com todas as enfermeiras. Até aí estava tudo muito “legal”, eis que surge a primeira agulha. Minha pequena, de certa forma, estava mais habituada ao ritual de colocação da agulha no cateter. Apesar de parecer dolorido, era menos pior do que tentar pegar um acesso periférico no braço ou na mão, aquilo sim era um verdadeiro desespero.

Tudo tranquilo na colocação da agulha e as enfermeiras iniciaram a aplicação dos medicamentos pré-quimioterapia. A essa altura, Ana Luiza já sabia o nome de todos os remédios, a ordem de aplicação e o horário de cada um deles. Já sabia quem eram as “tias” mais legais, já exigia comidas preferidas para a nutricionista, já orientava os fisioterapeutas sobre a sequência de exercícios que ela fazia. Personalidade nunca havia faltado e agora parecia estar sobrando... Totalmente “mandona” e cheia de si.

Fazer quimioterapia durante 9h seguidas, por 2 dias, utilizando quatro tipos de drogas extremamente agressivas é muito desgastante pra qualquer um, para uma criança tão pequena e frágil parecia ser ainda pior. Mas a segurança e a força da pequena não vinham de mim. Deus sempre esteve ao lado dela e nessas horas a gente tem a certeza de que Ele realmente é poderoso.

Ana Luiza quis ir para a escolinha pediátrica, brincar e colorir. Ela fez amizade com um menino chamado Marquinhos, de 9 anos, que também está em tratamento e eles brincaram com vários jogos de tabuleiro. Fiquei observando e notei que aos poucos as feições dela estavam mudando. Parecia fraca e sonolenta e perguntei se ela não queria ir pro quarto descansar um pouco.

Ela concordou, mas perguntou se o Marquinhos poderia continuar brincando com ela no quarto. Eu disse que não tinha problema e ela se levantou da cadeira pra sair da escolinha quando de repente, desfaleceu.

Meu coração acelerou e Ana Luiza não conseguia ficar em pé. Estava muito fraca e parecia que iria desmaiar. Segurei ela no colo e ela estava totalmente sem vigor. Não conseguia nem segurar no meu pescoço. Parecia que iria desmaiar a qualquer momento. Saí com ela no colo, correndo até o quarto enquanto minha mãe empurrava o suporte do soro e dos medicamentos. Eu conversava com Ana Luiza o tempo todo e ela, ainda consciente, só estava preocupada com Marquinhos, pedindo pra que eu avisasse o número do quarto pra ele ir visitá-la. Mas parecia estar delirando, sei lá...

Coloquei ela na cama e chamei as enfermeiras. Ana Luiza ainda estava acordada, mas sonolenta e com a fisionomia muito exausta. A enfermeira verificou os sinais vitais dela e estavam todos normais e disse que avisaria o médico.

O oncologista de plantão informou que aquilo era uma reação esperada de uma das drogas e que ela poderia, inclusive, perder a consciência. Como a pequena permaneceu consciente e com sinais vitais normais, ele pediu que ficássemos atentas e qualquer coisa anormal, avisássemos a enfermagem.

Ana Luiza cochilou. Obviamente nem eu, nem minha mãe saímos do lado dela. Em meus pensamentos, só conseguia agradecer a Deus por ela estar bem. Mas que susto absurdo! Que desespero carregar ela nos braços, como se estivesse desmaiada. Só de lembrar me faltava o ar...

O segundo dia de quimioterapia foi tranquilo e no dia seguinte recebemos alta. No momento da alta, os médicos confirmaram a necessidade de realização dos exames de imagem e explicou que eles eram imprescindíveis para avaliação da resposta ao tratamento e que as próximas etapas dependeriam dos resultados obtidos.

Sempre muito pragmáticos, os médicos não transpareciam muitas esperanças. Meu coração ficava muito apertado, de tanto medo e ansiedade por causa desses exames, mas na verdade o que importava no momento da alta é que Ana Luiza estava superfeliz por poder ir pra casa. Na verdade, ela estava feliz por dois motivos: Estava indo pra casa e o papai já estava lá esperando por ela. Marcos havia conseguido passar o feriado do dia 15 de novembro em SP e nós duas estávamos muito felizes. Infelizmente o Marcos só pôde ficar por alguns dias, mas sem dúvidas valeria a pena. E no mesmo dia que Marcos voltou para Manaus, meu pai veio de Boa Vista para ficar uns dias conosco.

Os dias em casa

Exatamente no dia em que Marcos foi embora, saí a pé para comprar pão com meus pais e Ana Luiza e tive uma dor muito forte no baixo ventre. A dor era exatamente a mesma que tive uma semana antes de Ana Luiza ter os episódios de vômito em Manaus, que culminaram com o terrível diagnóstico. Logicamente eu larguei minha saúde para último plano.

Não suportando a cólica absurda, meu pai me levou ao pronto socorro. Chegando lá, expliquei tudo para a médica que me atendeu. Contei sobre o episódio em Manaus ocorrido no mês de setembro e, antes que ela me chamasse de relapsa, expliquei que interrompi a investigação da causa, por causa de minha filha. Contei, resumidamente, o caso de Ana Luiza e meu problema pareceu tão pequeno que a médica só queria saber sobre ela. Achei engraçado o interesse da médica. Ela disse que todas as noites rezava por um paciente e que naquela noite ela rezaria pela minha filha. Eu chorei e agradeci. Finalmente fiz diversos exames e o ultrassom identificou cistos hemorrágicos ou endometriomas relativamente grandes no meu ovário direito. A médica me forneceu o contato de uma colega para começar o tratamento e me garantiu que eu me restabeleceria rapidamente.

Passado o susto e durante os dias em casa, os cuidados com a boca de Ana Luiza triplicaram. A experiência anterior, com o período pós-quimioterapia e o problema da mucosite nos deixaram super traumatizados. Ana Luiza fazia higiene oral o tempo todo, com diversas substâncias profiláticas e graças a Deus, ela não teve nada de mais grave na mucosa da boca, conseguia se alimentar bem e o período posterior a quimioterapia estava sendo tranquilo... até ela tentar ir ao banheiro fazer cocô.

Toda e qualquer mucosa do corpo fica afetada com a quimioterapia e a mucosa anal não seria diferente. Ela estava com muita dificuldade para ir ao banheiro. E um dia antes da consulta pós-quimioterapia, ela chorou de dor pois o bumbum estava muito sensível e dolorido.

Fomos para a consulta com os oncologistas e a médica examinou o bumbum, receitou medicamentos, laxantes e banhos de assento, que aliviaram muito o desconforto da pequena.

Neste mesmo dia, no período da tarde, Ana Luiza teria a tal bateria de exames para se submeter: Ressonância Magnética de crânio e coluna vertebral, tomografia de tórax e abdome e cintilografia óssea. Todos eles para avaliar a resposta a quimioterapia.

Meus pais estavam muito apreensivos e eu não estava diferente: muito nervosa, ansiosa, preocupada, afinal aqueles exames significavam os próximos passos para o tratamento. E por mais que eu tentasse confiar no poder de Deus e me cercar de bons pensamentos, inevitavelmente eu pensava no pior: As imagens mostrariam que tudo estava do mesmo jeito ou pior. Me embrulhava o estômago pensar nisso. Imaginava o desespero dos nossos pais, dos amigos distantes, dos parentes...

Por mais que parecesse “falta de fé” da minha parte, uma frase não saía da minha cabeça: “Em tudo dai graças”. Eu estava tentando me conscientizar de que mesmo que as imagens não mostrassem o que nós gostaríamos, eu teria que continuar tendo forças. Eu deveria continuar agradecendo a Deus por tudo, inclusive pelas provações.

Meditei muito durante a longa espera para iniciar os exames. Orei e pedi, mais uma vez, forças para suportar. Enquanto Ana Luiza jogava videogame esperando ser chamada, eu comecei a imaginá-la em situações no futuro: imaginava ela com 15 anos, querendo viajar com os amigos. Imaginava ela estudando pro vestibular, indo pra faculdade. Imaginava a formatura dela, o casamento... quem seria o sortudo, que teria o amor dessa super-heroína? Ocupei minha mente com bons pensamentos, mas estava certa de que agradeceria muito a Deus, mesmo que os resultados não fossem aqueles que todos nós aguardávamos.

A tomografia foi rápida. Ela teve que fazer um acesso periférico (agulha no braço), para tomar o contraste. O choro foi grande, mas ela foi consolada por uma multidão de adultos que aguardavam para submeter-se aos exames também. Alguns pela primeira vez, ainda na fase de investigação da doença, que pelo rosto transpareciam desespero. Outros, fazendo controle, encorajavam-na dizendo que tudo aquilo iria passar e que ela estava de parabéns por ser tão corajosa aos 7 anos...

Durante a realização da ressonância magnética, que demorou mais de 1 hora pra ser realizada, Ana Luiza dormiu. Ela precisava ficar imóvel e o fato dela ter cochilado considerei um presente de Deus. Enquanto os médicos avaliavam as imagens, eu só conseguia olhar pra baixo. Coloquei a cadeira de costas para a sala de comando onde os médicos ficavam e não olhei uma vez sequer na direção deles. Tinha pavor de olhar na cara dos médicos e tentar decifrar a expressão de cada um deles. Mantive meu olhar o tempo todo no chão ou na Ana Luiza. Preferi me concentrar nas orações, do que tentar decifrar a cara dos médicos e acabar “morrendo” por antecipação.

Saímos da sala e Ana Luiza estava muito sonolenta. Aos poucos foi despertando e disse que estava com fome. Chegamos ao setor de Medicina Nuclear para a realização da Cintilografia Óssea e ela ganhou um lanche das enfermeiras do setor. Comeu bolo de chocolate com suco de uva enquanto aguardava 2 horas para fazer o exame. Eu fiquei realmente aborrecida com a demora, mas infelizmente era necessário, pois somente 2h após ter recebido a substância radioativa ela poderia ser avaliada com mais precisão no equipamento médico.

Durante as duas horas de espera, ouvi muitas histórias. Orei pela vida da minha filha e pela vida de dezenas de pessoas que também estavam aguardando. Que doença cruel e avassaladora! Mas felizmente, todas as pessoas que tive a oportunidade de conversar estavam muito esperançosas. Outras, ainda assustadas com o diagnóstico recém recebido, choravam e tentavam resignar-se com sua situação. Se o câncer tem algo de positivo, é que ele torna as pessoas mais humanas. Acho que é porque nesses momentos temos a exata noção de que não temos poder algum, que somos completamente frágeis e insignificantes e, que a qualquer momento, podemos sumir deste planeta. Depois de uma notícia bombástica de um câncer, cada dia é vivido com mais intensidade, mais vontade e, principalmente, mais humildade.

Ana Luiza já estava exausta, mas cada vez que chegava alguém na sala de espera ela puxava papo. Pegou telefone de algumas mulheres, convidou outras tantas para nos visitar... estava numa alegria sem fim. Na verdade, EU estava muito mais exausta, tamanha era minha tensão.

Fomos para casa e meus sogros já estavam no apartamento nos aguardando. Ana Luiza ficou no paraíso por alguns dias: os quatro avós no apartamento, paparicando e enchendo ela de mimos. Infelizmente meus pais precisavam voltar para Boa Vista, para resolver pendências no restaurante.

Ana Luiza sempre foi muito, MUITO próxima de minha mãe. Desde bebê, sempre teve uma ligação muito forte com ela. E despedir-se da vovó era um tormento. Para as duas na verdade. E sempre foi, desde muito antes desse problema todo começar. Entretanto, desta vez foi um verdadeiro drama. Minha mãe chorava de um lado e minha filha do outro. Minha mãe chegou no aeroporto ainda chorando e minha filha, horas depois de minha mãe ter ido embora, corria pra pegar uma foto da vovó e chorava abraçada com a foto. Era de partir o coração.

Mas vovó Eliane sabia como dar um jeito naquela tristeza. Tratou de animar a pequena com muitas histórias engraçadas e músicas dançantes e no fim do dia, Ana Luiza já estava mais animada. A saudade da Vovó Aldenora continuava grande, mas a substituição tinha sido bem sucedida.

Ficamos apenas meus sogros, Ana Luiza e eu. Vovô Calmon tentou animá-la com um passeio de carro pela cidade. Ela gostou mesmo, foi do som do carro, o tempo todo tocando músicas do Luan Santana, para desespero do Marcos, que sempre a desincentivou a gostar do estilo sertanejo. A vovó Eliane não queria saber: colocava o som no máximo e dançava com a pequena dentro do carro!!

Queda da imunidade – Nova internação

A imunidade começava a cair. Os dias críticos estavam chegando e Ana Luiza teve novamente, uma pequena febre. Apesar de estar se alimentando bem e a mucosa da boca estar razoavelmente aceitável, o bumbum ainda incomodava. A temperatura de Ana Luiza chegou aos 37,5ºC no início da noite. Passei a madrugada inteira verificando a temperatura, que oscilava o tempo todo. Às 5h da manhã Ana Luiza estava com 38ºC de temperatura. Levantei da cama, peguei algumas compressas frias e tentei baixar a temperatura, que voltou para os 37,5ºC. Às 6h30min, a temperatura voltou para os 38ºC e infelizmente tivemos que ir para o Hospital mais uma vez.

Arrumei uma pequena mochila e pegamos um táxi até o hospital. Meu sogro ficou no apartamento arrumando tudo e encontrou conosco quando ela já estava internada. Após todos os protocolos normais da internação pelo pronto socorro (exame de sangue, raios X, exame de urina, etc), durante a colocação da agulha do cateter, algo não parecia normal. O soro e os demais medicamentos não fluíam adequadamente no equipo. As gotas desciam muito lentamente e aquilo me preocupou, mas as enfermeiras pareciam tranquilas, então tratei de não me apavorar.

Fomos para o quarto no 5º andar e felizmente tudo parecia bem. Ela não teve mais febre, a boca estava razoavelmente bem e estava conseguindo se alimentar normalmente. Mas apesar de eu ter informado sobre o bumbum e sobre os medicamentos que ela estava usando em casa, a equipe de enfermagem não os trouxe e, após ficar quase 24 horas sem tomar os laxantes, o inevitável aconteceu: sangue e muita dor ao defecar. O bumbum ainda estava muito sensível e uma quantidade considerável de sangue, saiu junto das fezes no momento da evacuação. Ana Luiza chorava de desespero e gritava de dor. Minha sogra estava assustada e eu, mais uma vez, tinha que manter a calma. Eu precisava limpá-la, lavar bem o local e aplicar o medicamento para evitar alguma infecção, mas Ana Luiza, gritando e chorando muito, não deixava. Eu precisava ser enérgica com ela, mesmo querendo chorar junto. Ana Luiza se debatia gritando de dor e tentando me impedir de limpá-la, e segui firme, fazendo o que eu deveria fazer: cuidar dela.

Passado o desespero, os médicos a avaliaram e tudo estava bem. Regularizaram os medicamentos, laxantes e banhos de assento e tudo parecia voltar ao normal. Mas infelizmente o acesso pelo cateter não estava funcionando adequadamente. Ele não tinha nenhuma obstrução, nenhuma inflamação ou infecção mas, misteriosamente, não fluía adequadamente na bureta, o que acabava atrasando os antibióticos. As enfermeiras estavam angustiadas com aquilo e resolveram trocar a agulha na esperança de que melhorasse o fluxo. Sempre que “lavavam” o cateter com soro, ele fluía normalmente, mas ao colocar o soro no suporte, voltava a fluir muito mal. Elas se desdobraram para aplicar os medicamentos no horário e fomos levando a situação.

Naquele momento o que mais me preocupava não era a agulha do cateter, mas os resultados dos exames. Os exames de imagem sairiam com Ana Luiza ainda internada e eu deveria levar os resultados para os médicos antes que ela recebesse alta. Aquilo estava tirando meu sono e toda a minha tranquilidade. Eu estava, definitivamente, muito ansiosa e preocupada.

Ainda no início da internação, o pai biológico de Ana Luiza nos telefonou informando que estava em SP e que gostaria de visitá-la. Avisei a pequena e ela ficou muito animada em recebê-lo. Estávamos na escolinha pediátrica quando ele chegou e os dois brincaram juntos de jogo da memória.

Retornamos para o quarto do hospital pois ela precisava ser medicada e durante o tempo em que ele permaneceu com ela, não me perguntou absolutamente nada sobre os detalhes do tratamento, ou qualquer coisa relativa aos próximos passos, mas assim que meus sogros deixaram o hospital para ir até o apartamento, ele me perguntou se eu poderia ajudar-lhe com uma situação.

Ele explicou que necessitava de um Laudo Médico referente ao estado de saúde de Ana Luiza, para apresentar no trabalho, pois havia sido nomeado para participar de uma sindicância na secretaria estadual onde estava lotado e, portanto, necessitava justificar sua ausência nas reuniões que estavam ocorrendo naquela semana.

Peguei minha pasta de documentos e mostrei a ele o relatório médico que eu dispunha e que tinha me servido para uma finalidade similar (justificar minha ausência do trabalho e solicitar licença não remunerada por tempo indeterminado e o Marcos ter 15 dias de licença no trabalho).

O documento explicava detalhadamente a doença, a data da internação no hospital, a necessidade de Ana Luiza ser acompanhada e que ela estava sendo acompanhada por mim desde o começo, sem previsão para alta do tratamento. Entreguei o documento original a ele, que disse que tiraria cópia e me entregaria de volta.

Ele saiu do quarto e em poucos minutos retornou, dizendo que não precisaria mais da cópia, pois havia conversado com as enfermeiras no posto de enfermagem e elas iriam providenciar um documento original igual àquele, mas com o nome dele, pois aquele não serviria, afinal estava em meu nome.

Eu tomei um susto afinal o documento era claro. E se ele receberia uma cópia IGUAL em nome dele, seria atestando que ele estava acompanhando Ana Luiza, o que não era verdade. Ele esteve visitando-a, por algumas horas e em determinados dias e só. Tudo além daquilo seria uma inverdade. De boas intenções, o inferno está cheio e infelizmente, levando em consideração que estamos em uma disputa judicial, achei prudente comunicar o Marcos sobre o assunto.

Marcos entrou em contato com o hospital e solicitou que nenhum documento fosse entregue a terceiros, parentes de Ana Luiza ou não e que somente ele ou eu, poderiam ter acesso aos documentos médicos de Ana Luiza.

A assistente jurídica do hospital explicou o fato ao pai biológico e lhe entregou apenas o que ela, por dever, e ele, por direito, poderiam ter acesso, que era uma declaração de comparecimento e um resumo do estado de saúde de Ana Luiza (este último, sob meu consentimento).

Eu tentei não me chatear com a situação. Apesar de estar uma “pilha” por causa dos resultados dos exames, eu tirei da minha cabeça qualquer pensamento ruim. Se o pai biológico precisava justificar a ausência do trabalho, ele que utilizasse a verdade e ela era apenas uma: Ele decidiu visitar a filha nas datas das reuniões já estabelecidas para a tal sindicância e o documento fornecido pelo hospital dizia exatamente isso.

Ele foi embora, nitidamente insatisfeito com o documento, mas infelizmente eu não podia fazer nada. Certos documentos, na mão de certos advogados, podem se tornar um prato cheio para qualquer coisa. E depois de tantos absurdos que eu havia lido na petição inicial apresentada por ele à justiça, eu simplesmente não podia me dar o luxo de ser ingênua. Acho que todos sabem o que quero dizer.

Entrega dos resultados dos exames

Mas o que ficava martelando o tempo todo na minha cabeça, eram os resultados dos exames. Aquilo estava me deixando em frangalhos. Qualquer outra coisa era apenas insignificante perto da preocupação com os resultados dos exames. Eu tudo que eu queria era Marcos ao meu lado. Quem iria me segurar se eu desabasse, caso o resultado não fosse bom? Fiquei dois dias sem dormir direito. Toda vez que pensava nos exames, meu estômago embrulhava. No dia em que os exames estariam prontos, deixei Ana Luiza, que ainda estava dormindo, com minha sogra e fui até o setor para recebê-los.

Durante todo o trajeto do 5º andar até o setor de imagens, fui orando. E em pensamento agradeci por tudo até aquele momento, agradeci pela força da minha pequena. Agradeci a nossa condição financeira que nos permitia estar naquele hospital, nos permitia dar todos os cuidados necessários em casa. Agradeci por ter onde ficar, pelo excelente apartamento dos tios do Marcos, cedidos carinhosamente. Agradeci porque ela pouco havia emagrecido e conseguia se alimentar adequadamente. Imaginei quantas mães não estariam chorando nesse momento, por não poder dar aos próprios filhos, nem metade dos cuidados que estávamos dando a Ana Luiza e tudo aquilo era muito claro pra mim: misericórdia de Deus.

Entrei no setor de imagens, peguei uma senha e me sentei. Fechei os olhos e continuei com meus pensamentos em Deus. Naquele momento, que durou pouco mais de 5 minutos, eu apenas pensei no poder de Deus. Aquele poder que a gente acha que não vivencia nunca, sabe? Aquele poder que está muito distante e só recebe quem é “merecedor”? O fato é que ninguém é merecedor. Estamos todos exatamente no mesmo barco. Só vivemos por misericórdia e ainda bem que elas se renovam todos os dias. Deus nos dá chances, diariamente, de fazer o que agrada o Seu coração. Mas mal conseguimos agradecer o alimento do dia, mal conseguimos olhar para o lado estender a mão para um desconhecido. Agradecer ao invés de reclamar não é comum para seres humanos tão fracos como na gente.

Isso não tem nada a ver com religião. Tem a ver com gratidão, amor ao próximo, solidariedade... lições dadas por Jesus há mais de 2 mil anos. Que vergonha pra mim! Ter que aprender isso nessas circunstâncias!

Somos tão prepotentes em achar que só o fato de acordar respirando não é milagre de Deus! Hoje podemos ir dormir e simples e misteriosamente acordar com um câncer na cabeça. Em pensamento eu afirmava que Deus tinha o poder para mudar, naquele exato momento, todas as imagens. Ele tinha o poder para mudar a redação dos laudos, num passe de mágica. Mas Ele só faria aquilo, se fosse da vontade dEle e com um objetivo muito definido. Pra mim, Deus nunca teve cara de papai noel, muito menos de “mágico”. Ele não é um “gênio da lâmpada” que está a meu dispor, para fazer a minha vontade o tempo todo, como aquele pai que estraga seus filhos, sabe? Dando tudo que eles pedem, na hora que pedem...

Deus age misteriosamente. Só nos resta confiar em Seus planos. Eu nunca fui merecedora, mas Deus conhece o meu coração. Ele sabe do desejo que tenho de ter minha filha curada e nossa vida restabelecida. Eu não consigo sequer imaginar perder minha filha. Mas só me restava aceitar Sua vontade.

Respirei fundo quando minha senha foi chamada no painel. Recebi vários envelopes e a atendente disse que o laudo definitivo da tomografia de tórax ainda não estava pronto e pediu que eu retornasse em 1h, para buscá-lo. “Bom, vai ficar faltando apenas o resultado dos pulmões”, pensei eu.

Saí do setor de imagens me tremendo dos pés a cabeça. Não conseguia abrir os envelopes de jeito nenhum. Não sabia nem pra onde ir. Olhei para o celular e o sinal estava muito ruim. Precisava falar com Marcos. Fui correndo para a saída do hospital e quando cheguei na rua, liguei pra ele. Assim que ele atendeu, comecei a chorar. Ele me acalmou e pediu pra eu abrir os envelopes.

Enquanto eu tentava parar de chorar e de tremer, eu também tentava ler os laudos. Apesar de ler para o Marcos, eu não processava direito as informações. Marcos também ficou confuso, a ligação estava ruim e ele deve ter se sentido totalmente impotente com o meu desespero. Os resultados contidos nos laudos, pareciam bons, mas minha incapacidade de manter a calma só atrapalhava o raciocínio. Avisei ao Marcos que iria para a pediatria solicitar que um dos oncologistas me atendesse para explicar com calma sobre o resultado dos exames e que ligaria pra ele logo em seguida.

Esperei quase uma hora por um dos médicos. As minhas mãos estavam suadas, não conseguia prender o choro e a recepcionista me pedindo calma, ofereceu um copo d'água. Eu não sabia se deveria ficar feliz ou triste. Eu estava confusa, mas o pânico era tão grande, que eu não tinha coragem de ler os laudos com calma. Achei mais prudente que o médico abrisse os envelopes, lesse tudo e me explicasse.

Enquanto eu aguardava um dos médicos ficarem disponíveis, minha sogra liga no celular e avisa que Ana Luiza ainda estava dormindo (já era aproximadamente 1h da tarde) e que as enfermeiras estava preocupadas com o controle hídrico, pois ela ainda não tinha bebido nada e tampouco feito xixi.

Corri dos consultórios até o 5º andar para tentar acordar a pequena. Ela estava sonolenta, mas tinha uma razão. Foi dormir muito tarde na noite anterior. Consegui acordá-la com muita dificuldade, mas ela tomou um copo d'água, fez quase 600ml de xixi e quis voltar a dormir. Enquanto eu tentava convencê-la a ficar acordada, a chefe da oncologia pediátrica ligou no telefone do quarto e eu atendi. Ela disse que a recepcionista tinha avisado da minha presença e perguntou se tinha acontecido alguma coisa com Ana Luiza.

Expliquei que eu queria conversar com um dos médicos, sobre os resultados dos exames e ela pediu que eu descesse imediatamente. Deixei Ana Luiza com minha sogra e corri para o Setor de Pediatria. Chegando lá, entrei no primeiro consultório que estava com a porta aberta. O médico que estava na sala, era um dos que estavam fazendo o acompanhamento da Ana Luiza. Ele perguntou o que tinha acontecido, pois eu parecia muito assustada. Coloquei os exames em cima da mesa e assim que comecei a falar, desabei num choro descontrolado.

Não conseguia nem falar direito. Mal expliquei que não tive coragem de ler os laudos e caí em prantos de novo. Ele respirou fundo, como se realmente me compreendesse, tentou me tranquilizar, pegou os envelopes e pausadamente disse: “Calma mãe! Nós vamos abrir os envelopes juntos e você precisa ter forças! Você fez bem em não abrir. Vamos lá...”

Ele pegou o 1º envelope, abriu e com os olhos arregalados disse: “Vamos à primeira boa notícia!” Eu, ainda chorando, tentava me acalmar para ouvir com atenção. Ele leu o laudo da ressonância magnética de coluna vertebral que dizia: “Controle pós-terapêutico de rabdomiossarcoma, sem evidências de lesões em atividade. Em relação ao exame anterior de 30/09/2010 houve desaparecimento das áreas de realce anômalo pós-contraste”

Eu comecei a dar um sorriso nervoso, mas não conseguia parar de chorar. Aí ele virou a página e leu o resultado da ressonância magnética do crânio, que dizia: “Formação expansiva na topografia do ápice petroso esquerdo. Em relação ao exame anterior, de 20/09/2010, realizado em outro serviço, houve redução significativa das dimensões da lesão”.

O médico riu e eu continuava chorando. Balançando a cabeça, como se também estivesse surpreso com tudo aquilo, ele pegou mais um envelope e disse: “Agora a terceira boa notícia: Ela não tem mais nada na perna. A cintilografia está dentro da normalidade”.

Enquanto eu chorava muito, num misto maluco de alegria, desespero, alívio, gratidão e um monte de outros sentimentos que eu nem conseguia distinguir, ele relia com calma os laudos. Acho que pelo barulho que eu fiz enquanto chorava, as duas outras médicas que acompanham Ana Luiza apareceram na porta do consultório. A chefe da oncologia, assutada, perguntou o que estava acontecendo. Eu tentava explicar e chorava mais ainda. O médico tomou a palavra e olhando diretamente pra mim, nitidamente muito emocionado, explicou com calma: “Mãe, esse resultado foi a melhor resposta possível. A redução da lesão na cabeça foi muito grande e ela não possui mais metástases. Ainda não temos os resultados do pulmão, mas tudo indica que haverá redução ou desaparecimento também. Ela não teve apenas uma redução. Foi uma redução significativa da lesão principal. A gente sempre torce por bons resultados como este que ela está tendo, e eu sempre torço para dar boas notícias aos meus pacientes. A família de vocês mexeu muito comigo desde o início, desde quando estive com vocês na UTI para avaliá-la. Esse resultado é ótimo!”

Ele foi interrompido pela chefe da oncologia que, mais pragmática disse: “Temos que ter calma. A grande maioria dos rabdomiossarcomas parameníngeos não são operáveis, em virtude das sequelas serem grandes. E infelizmente em alguns casos temos recidivas precoces do câncer. Agora ela vai ser encaminhada para a equipe de cirurgiões que irá avaliá-la e veremos os próximos passos”. A outra médica não falou nada. Mas nem precisava. Tem coisas que os olhos falam bem melhor.

Saí do setor de Pediatria e imediatamente liguei para o Marcos. Ele deu um suspiro grande no telefone e sei que ele também estava chorando. Nós dois sabíamos que aquilo era obra de Deus e testemunhar esse tipo de milagre é algo que muda as nossas vidas para sempre. Marcos deixou claro que ele queria muito estar ao meu lado e sabia o quanto tinha sido difícil pra mim ter vivenciado tudo isso sozinha. Ele conseguir antecipar o embarque e viria para São Paulo imediatamente no dia seguinte. Marcos não me avisou, mas assim que confirmou as boas notícias, ligou para o pai biológico de Ana Luiza, que estava em SP, e pediu que ele fosse visitá-la para compartilhar desse excelente resultado. Nós nem ninguém, em sã consciência, iria dar valor a outra coisa, que não fosse comemorar esse resultado.

Pedi para o Marcos avisar as pessoas do twitter porque eu mal conseguia falar ao telefone, quanto mais digitar alguma coisa. E ele anunciou para a multidão de amigos virtuais da pequena, que estavam torcendo muito por notícias boas.

Voltei para o 5º andar com a cara inchada de tanto chorar. Entrei no elevador e a Simone, uma fisioterapeuta amazonense que está estudando no hospital (e as vezes parece um radar, detectando pacientes conterrâneos) viu minha cara e antes que ela pensasse alguma besteira já fui contando as novidades. Recomecei a chorar novamente. Mas era um choro de alívio, de felicidade pura.

Descemos do elevador chorando e coincidentemente minha sogra estava passando em direção a escolinha da pediatria, para pegar uma tesoura sem pontas para Ana Luiza. Quando ela viu as nossas caras de choro, imediatamente começou a chorar também. Mas pra evitar o pânico já fui gritando as boas notícias. Minha sogra chorava e respirava aliviada, dando graças a Deus. Voltamos as duas para o quarto e eu já fui abraçando minha pequena, enchendo ela de beijos e dizendo que papai do céu estava sendo maravilhoso conosco. Ela ficou me olhando e eu, com os olhos cheios de lágrimas dizia que, especialmente naquele dia, a gente só agradeceria muito ao papai do céu. De todo nosso coração.

Ana Luiza me olhou muito séria e disse: “Tá bom mamãe, chega de choro e vai logo buscar minha tesoura, que a vovó não trouxe, né vó?!” Caímos na gargalhada e eu respirava aliviada, me acalmando da notícia maravilhosa. Enquanto Ana Luiza, parecia já saber do resultado...

Liguei para meus pais em Boa Vista e minha mãe ficou engasgada no telefone. Não conseguia nem falar direito. Imaginei a cara de choro da vovó e a vontade grande que ela deveria estar sentindo em estar conosco. Liguei também para o pai biológico dela dando as boas notícias e ele disse que passaria para visitá-la.

Um casal de amigos muito especiais, o Simão e a Rita, tinham me pedido para avisá-los sobre os resultados dos exames. Eles tem um carinho muito grande pela minha pequena e o Simão, meu ex-chefe, conhecia toda a minha história. Assim que me formei e, precisando trabalhar para ter condições de sustentar Ana Luiza e finalmente, deixar de ser tão dependente dos meus pais, foi ele quem me recebeu na empresa e me deu forças em vários momentos. Um grande amigo. Uma família mais do que especial.

E a tarde inteira fomos tomados por um sentimento maravilhoso de gratidão. Todos que ligavam ou mandavam mensagens, ainda tinham dúvidas e perguntavam quais seriam os próximos passos. A grande torcida de Ana Luiza tinha todos os motivos para festejar e principalmente agradecer.

A Cínthya e a Gracélia, mães de filhos amazonenses em tratamento no hospital, respectivamente Beatriz e João Vitor, vieram me abraçar e comemorar comigo. Elas tinham presenciado meu desespero nos dois últimos dias e mais do que ninguém, tinham a exata dimensão da minha alegria naquele momento.

Meus sogros foram até o apartamento organizar algumas coisas e comunicar à família e aos amigos que estiveram orando por ela, as excelentes notícias do dia. Já no final da tarde, o pai biológico de Ana Luiza chegou ao hospital e ficou por alguns momentos com ela. Enquanto eles brincavam, aproveitei para tentar comentar a notícia com os amigos na internet e esclarecer as dúvidas sobre os próximos passos, já mais calma diante da notícia.

O pai biológico, após alguns minutos, me informou que aquele documento fornecido anteriormente, não serviria para justificar sua ausência e que ele precisava de um laudo assinado por um médico. Eu não estava com a menor vontade de falar sobre aquilo. Mas nada, nem ninguém tirariam aquela alegria contagiante que eu estava sentindo. Eu apenas repeti, mais uma vez, que cederia uma cópia do documento que eu havia recebido e que ele poderia solicitar do hospital, declarações de comparecimento de todos os dias em que esteve no hospital, mas ele continuava dizendo que aquilo não era o suficiente e que procuraria a advogada do hospital.

Eu não queria confusão, mas não poderia, jamais, fornecer um documento que poderia ser usado para prejudicar o processo judicial que infelizmente estávamos metidos. E se o pai biológico de Ana Luiza estava infinitamente mais interessado em um documento para justificar sua ausência no trabalho, aquilo era problema dele, não meu. Meu interesse, naquele momento, era outro.

E ele foi até o escritório da advogada, que mais uma vez repetiu que não tinha permissão para fornecer nenhum outro documento, somente aquele que ela já fornecera. O pai biológico de Ana Luiza, ficou, mais uma vez, insatisfeito. Mas felizmente resolveu não insistir. Tentei argumentar e falei abertamente dos meus receios e pedi apenas, compreensão. Ele permaneceu com ela por mais alguns minutos e foi embora.

Naquela noite, antes de dormir, apenas agradeci muito. Muito mesmo. Deus estava sendo muito carinhoso em nos dar um presente daqueles. No dia seguinte, Marcos chegou cedo e veio direto do aeroporto para o hospital. Beijou e abraçou muito a pequena. Saímos do hospital e Ana Luiza era só alegria!! Dormiu todas as noites com o papai e só queria saber dele. Eu, logicamente, fiquei esquecida no canto. Mas eu precisava descansar. Os dois últimos dias tinham sido muito cansativos e só de olhar a felicidade dela era suficiente pra mim. E enquanto eu descansava, não me cansava de agradecer. Agradecer muito não era suficiente.

Mais dias em casa

Ana Luiza estava ótima, mas dentro de 5 dias nós voltaríamos ao hospital para mais uma aplicação de quimioterapia, portanto esse era o tempo que nos restava para nos divertirmos. Ela estava com as defesas dentro de certa “normalidade”, estava se alimentando bem e decidimos ir até o litoral, para que ela visse o mar. Somente olhar mesmo, literalmente. Fomos numa segunda-feira e a praia de Itanhaém estava completamente vazia.

Os avós paternos do Marcos haviam morado lá e fomos visitar a casa onde ele costumava passar férias. O passeio foi maravilhoso. Ela brincou muito, deu muita gargalhada e se divertiu demais. Compramos uma bola de praia e ficamos jogando, Marcos, eu, Ana Luiza e os avós.

Na volta para casa, Ana Luiza caiu no sono. Chegamos em casa após um dia muito gostoso em família. Poucos dias depois, vovô Calmon e vovó Eliane voltariam para Belo Horizonte, mas logo passariam o bastão para vovó Aldenora, que ansiosa, aguardava o reencontro com a pequenina. Ela chegou exatamente no dia em que voltávamos para o hospital, para mais uma aplicação de quimioterapia.

34 comentários:

  1. Impossível não se emocionar. E com certeza sempre virão mais boas notícias. Fé!
    Daniela Azevedo

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  2. Sua fé é um exemplo! Que Deus permaneça abençoando a sua pequena e toda a família! Força! ;)

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  3. Carolina, acompanho o caso da Ana Luiza, sou pai de duas crianças e imagino a barra que vocês estão passando. Quero te dizer que todos os dias rezo pela sua pequena e pela sua família, e que todos aqui ficamos felizes com a melhora dela.

    Que Ele sempre dê muita fé a todos vocês, e muita força. Admiramos a sua garra.

    Permaneçam sempre com Ele.

    Um abraço da família Pimentel.

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  4. Simplesmente emocionante! Que Deus continue abençoando vocês, rumo à cura! Continuamos orando e torcendo!

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  5. Que notícia maravilhosa, Carol!
    Tenho casos dessa doença na minha família. Se é doloroso com tios e primos imagina com filhos, que são parte da gente.
    Não tenho dúvidas que Deus tem um olhar especial por essa heroína. Aliás, a benção não é só pra pequena, mas em todos que a cercam, pois precisam de muita força pra lutar contra a doença. Continuo com as orações por vocês!
    Deus tem planos pra nossa vida, e nem sempre é como imaginamos, mas que sempre nos fortalece e gera crescimento. Esse será "apenas" um obstáculo vencido!
    Que Deus continue abençoando vcs!

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  6. Que D'us permaneça ao lado de sua pequena! Que Sua presença forneça mta força, animo, esperança e mta paz para a pequena Luiza. Obrigada Hashem por essa notícia boa e por sua infinita misericórdia e bondade, essa família só irá receber notícias maravilhosas! Bendito és o Eterno o único capaz de transbordar bondade e realizar o impossível. Amén

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  7. Não sou profeta, mas creio que as coisas acontecerão assim:

    1. Ana Luiza será curada, claro;
    2. A vida de vocês aqui em Manaus será retomada, multiplicada em alegria;
    3. Você escreverá um livro, e doará os direitos para instituições que cuidam de crianças com câncer;
    4. O livro será um sucesso;
    5. Terei um exemplar assinado por ti, pelo Marcos e, claro, pela Ana Luiza;
    6. Por fim, virá um irmãozinho para ela.

    Parabéns pelas conquistas, tudo de bom, Deus continue a abençoá-los.

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  8. Adorei a mensagem anterior. E é isso mesmo que acontecerá, ou melhor, já está acontecendo (a cura da Ana)...
    Vcs estão sendo abençoados por Deus ! A corrente de orações por vcs continua ! E, td acabará bem !
    Vcs merecem ter a vida restabelecida, e terão !
    Fique forte. Vc é a coluna disso tudo. Deus está com vcs.
    Um bjão a todos.
    Dani :)

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  9. Amigos, obrigada pelos comentários maravilhosos. Não só neste texto, mas todos os outros feitos anteriormente. Vcs não tem ideia da força que tem nos transmitido. Coloquei algumas fotos dela nas laterais do blog para vcs visualizarem a pequena e a força que brota dos olhos dela. Obrigada, de coração!

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  10. Carol, sua filha será curada! Em nome de Jesus! Ela está cumprindo a missão dela, que é passar por td isso! Me disseram que essas crianças escolhem passar por isso, pois são espíritos evoluídos. E a SUA missão é fazê-la passar por td da melhor forma possível. Glória Deus!
    Ah, e ela é LINDA!!!!!!!!!!!!!

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  11. Oi, Carol
    Cada vez que leio seus relatos tenho mais certeza de que Deus só dá aquilo que a gente pode suportar. A sua filha é uma guerreira, porque vc é uma mulher forte, corajosa, sensível, verdadeira, humana. Vc é o exemplo dela, Ana Luiza aprendeu com vc. Deus te proteja sempre. Não precisa nem falar que estamos em oração diariamente. Grande beijo, Naira

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  12. Oi Carol,

    Eu sei que é uma barra enfrentar tudo isto, e que mexe com toda a nossa vida e nossos valores.

    Peça a Deus que te acompanhe em todos os seus passos e que te dê forças, a você a Ana Luiza e toda a sua família para suportarem todo este tratamento.

    Confie plenamente em Deus que ele irá restituir a saúde de sua filha e logo tudo isto não passará de um sonho ruim, que já terá terminado.

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  13. Oi Carol,
    Bem q vc me disse q ía escrever sobre esse dia! Como sempre, conseguiu descrever a emoção daqueles momentos das boas novas! Ouvir sua voz no telefone relatando os resultados dos exames foi muito, muito, muito bom. Foi uma sensação de felicidade indescritível. Por coincidência eu estava no mesmo local do seu primeiro telefonema perguntando por uma indicação de um oftalmo qdo me faltou o chão a medida q ouvia vc me descrever os sintomas da Ana.
    Adorei essa previsão aí em cima!!!! E assim será com a Graça de Deus!
    Beijo enorme na minha amiga especial!

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  14. oi Carol
    tao bom receber noticias boas da Ana pra mim que nem a conheco imagino p vcs da familia... + Deus é mesmo poderoso, é um Deus de milages e para Ele naum a impossivel... estou muito muito muito feliz com a recuperacao da pequena, estarei aki orando por ela, siga firme, que Deus esta no controle cuidando de vcs... dê muitos bjos de tds nós nela, sinta vc o nosso abraco e a nossa oracao, e forca amada sua filha precisa de vc e eu imagino que naum deve ser facil o que vcs devem estao passando + Deus tem um plano pra vida de vcs e Ele sempre faz o melhor pelos seus... quando tudo isso acabar vcs estaram + unidos do que nunca como familia e com o nosso Deus...e que Ele seja a tua paz e a tua provisao... boa semana

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  15. Este comentário foi removido pelo autor.

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  16. Tenho acompanhado seu blog desde o dia em que o Arthur foi ao Jô Soares e li seu comentário no blog da Lidionete que é minha amiga. Desde então a Ana Luiza e sua família tem feito parte das minhas orações. Não sou muito boa com as palavras mas, saiba que tb faço parte da torcida pela cura da Ana Luiza.
    Bjos

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  17. Se eu que acompanho de longe fiquei radiante e alividada, imagina vc Carol!!
    Deve ter tirado 10 toneladas dos ombros com essa noticia tão maravilhosa!
    Deus é Pai e nunca deixaria uma familia tão especial como a sua de lado!!
    Que as boas novas estejam sempre se renovando!!

    Estamos sempre em oraçao por vcs!!

    Bjs
    Nelgia

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  18. Um dia quero conhecer essa fortaleza chamada Ana Luiza!!! Vc, Carol, é um exemplo a todas nós!!! Vou dormir feliz por saber desta MARAVILHOSA novidade!!! Que Deus os abençoe, e que a profecia do amigo acima se cumpram!!!!

    beijo grande,

    Valéria

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  19. Você é uma guerreira!!Muito obrigada por me ensinar tanto!!Rezo por vocês todos os dias, estou feliz e muito confiante!Beijo grande no coração!
    Jussara

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  20. Carol (não te conheço, mas depois de partilhar de tantas emoções, me sinto no direito de te chamar assim),
    descobri o seu blog por intermédio de uma amiga em comum, a Silvinha.
    Quando comecei a ler o primeiro post, fui fisgada e só consegui parar no último.
    Confesso que já estou doida pra ter notícias da pequena Ana, essa menina encantadora e cheia de graça, que está ensinando a todos nós.
    Sou médica, e principalmente, sou MÃE (tenho duas filhas, a mais nova com a mesma idade de Ana Luiza).
    Posso ter uma vaga ideia do que vocês estão enfrentando.
    Hoje moro na Itália e vim fazer um curso de Cuidados Paliativos, que é relacionado a pacientes com câncer ou outras doenças crônicas graves.
    Você e sua filha são exemplos de vida.
    Estou torcendo muito por vocês.
    Durante anos de prática médica,em meio a muitos avanços tecnológicos e científicos, estatísticas, prognósticos e tratamentos complicados, aprendi uma lição que não está em nenhum livro:para Deus, nada é impossível.
    Vocês são pessoas especiais e Ele sabe disso,
    Ele cuidará de vocês.
    Recebam minhas energias positivas e meu carinho.
    De uma desconhecida...
    Cristiana

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  21. Me emocionei muito com tudo que você escreveu e mesmo daqui, vibrei com o resultado dos exames!!!
    Deus é maravilhoso !
    Grande abraço!
    Lidionete

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  22. Ai, Carol.. vc é uma guerreira e a Aninha uma fortaleza!! Minha torcida por vcs e INFINITA! Vou querer um livro autografado também, mas mais do que isso, quero abraçar Ana Luíza bem forte!
    Um beijo!
    Larissa.

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  23. Carol,
    a garra da sua narrativa toca o lugar mais fundo, aquele onde as transformações ocorrem, as transformações curativas da alma. Estou certa de que essa cura, o amor e a esperança que a Ana Luiza desperta nas pessoas são apenas irradiações da cura concreta que ocorre dentro dela.
    Um grande beijo, e muita força nessa batalha com sua menina! Você conta com sentimentos e energias positivas que fluem diretamente do nosso coração; que eles possam nutri-la nos momentos difíceis!

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  24. Carol, que notícia MARAVILHOSA! Tudo vai dar certo! Positividade sempre. Deus está agindo na sua pequena. Sempre oro por vcs. Acreditamos (eu, minha família e amigos) na cura da Ana Luiza.
    Abraço! ;)
    PS.: Adoramos as fotos da Ana Luiza no blog.

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  25. Oi Carol,

    Li todo o seu blog, me emocionei e vou incluir a Ana Luiza nas minhas orações. Já tenho pedido por um outro menino que está numa situação parecida. Mas tenho fé que os dois ficarão completamente curados e tudo dará certo.
    Muita força para vocês.
    Beijos

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  26. Carol, Marcos e Ana Luiza,

    Comecei a acompanhar a história de vocês por indicação da Bia Abinader no Twitter. Desde então, entrei pra imensa torcida pelas vitórias da nossa pequena guerreira.

    Aqui em casa estamos torcendo e rezando por vocês, todos os dias! Não me canso de contar pra todo mundo como essa garotinha é forte! E, tenho certeza, essa força vem de vocês dois que são pais maravilhosos!

    A Ana Luiza nasceu do coração de vocês dois, juntos, independente da "biologia" da coisa ;P Ela só é essa fortaleza de alegria porque vocês dois a fizeram assim!

    São muitas vitórias quer irão se somar às próximas. Todos nós sabemos que ela vai ficar boa e vai continuar sendo essa pessoa maravilhosa que é!

    Beijos da Família Friche de Oliveira, especialmente para nossa linda e forçuda :D Ana Luiza!

    Laura, Jorge, Samuel e Bebê (tô grávida ;))

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  27. Carol,

    Parabéns pelas ótimas notícias, e acredite que esse ano novo será cheio de alegrias. Continuaremos rezando pela sua princesa. E se vocês precisarem de qualquer coisa aqui em São Paulo, podem nos procurar. Segue meu email Alexandre_campos_salles@hotmail.com, ou então pode postar no blog da Mari(minha filha) http://nossalutacontraocancer.blogspot.com/

    Um grande abraço e um ótimo Natal

    Alexandre

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  28. Carol
    Estou fazendo um campanha na minha igreja pela cura de Ana Luiza e creio em nome de Jesus Cristo que sua filha está curada.
    Em breve vcs estarão aki em Manaus.
    Beijo no coração: Andreia Gomes.

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  29. Eu sempre quis saber quem era "maria Luiza" nos perfis do twwiter, cheguei até imaginar que fosse algum candidato rss já que isso apareceu no período eleitoral. Mas hj descobri e confesso que foi uma mistura de sentimentos. Tristeza..medo...esperança...amor. Mexeu muito com minha cabeça, pois tenho um menino de 9 anos e a cada frase lida eu sentia como fosse comigo acontecendo as cenas passavam em minha cabeça como um filme..a dor, o medo.. o pai biológico( o meu filho tb tem isso, e esses problemas em relação a participação do pai. Hj vc conseguiu uma nova amiga, quando precisar chorar, rir, falar conte comigo... Nem sei se vc tem tempo de ler as mensagens que deixam aqui no seu blog mas eu tinha que deixar essa pra vc saber que eu tb estou na corrente orando por sua filha ou melhor por nossos filhos:) Bjs e mantenha contato.

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  30. Carol estou super encantada com a força de Ana Luiza :) É uma guerreira realmente. Já estou seguindo vc no twitter, me passa o seu facebook? Abraço, fica com Deus.

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  31. Olá Carol...Conheci a história da Ana Luíza hoje...
    Quero dizer que O Senhor Jesus está no controle dessa situação...e Ele ouve o seu clamor,Não deixe de crer,pois a Bíblia diz que "Tudo é possível ao que crê..."
    Entrei nessa guerra com vc em oração...
    Deus pode fazer O milagre...Paz


    Bjoks

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  32. Coitado, o pai biologico nao pode acompanhar a filha internada, pq vc nao liberou documentos para impedir de perder o emprego.
    O pior e que uma vez desempregado, mesmo assim a acao judicial iria continuar, e inclusive a pensao alimenticia.
    Com certeza ele tb brincou, fez carinho na filha, conversou com ela, mas vc nao narrou os detalhes disso.
    Parabens por sua luta, mas talvez seria bom largar de mao um pouco o twitter e dar mais atencao a sua filha.

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  33. E no meio de tanta luta e dor, ainda tem os idiotas q aparecem para contestar uma história q não é sua!.... E nem tem a ombridade de colocar seu nome né Anônimo! Infeliz!

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  34. Eu acho idiota e quem tenta , de qualquer maneira, fingir que um pai nao sofre em ver a filha nesse estado, e quer atribuir todo o sofrimento ao pai adotivo.
    Isso na vida real nao e verdade.

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